Fratelli Tutti com o capuchinho frei Luiz Susin

No 14 de novembro, o capuchinho frei Luiz Susin explanou on-line sobre a nova Encíclica do Papa Francisco “Fratelli Tutti” (sobre a amizade social e a fraternidade). Este diálogo foi promovido pelos frades capuchinhos de São Paulo, através da Comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC), em parceria com a Ordem Franciscana Secular do estado de São Paulo e a Família Franciscana do estado de São Paulo. Esta live foi transmitida pelo youtube dos Frades Capuchinhos de São Paulo, bem como pelo facebook da Articulação Brasileira da Economia de Francisco e Clara e youtube do Canal Resistentes, com muitas pessoas assistindo ao vivo.

Frei Luiz Carlos Susin é teólogo e professor na PUC-RS e na Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (ESTEF), em Porto Alegre. Ele fez uma iluminadora exposição sobre a nova Encíclica e a seguir respondeu algumas perguntas (feitas no chat) e dialogou com os três participantes presentes, frei Marcelo Toyansk, capuchinho, Bernadete Pereira, OFS, e Irmã Marinalva Carvalho, franciscana do Coração de Maria.

Frei Luiz discorreu que, em meio a um terreno “movediço” da atualidade em que estamos, o Papa propõe um “horizonte firme”, a fraternidade universal, com todos, inclusiva. Para isso, o diálogo é a forma de a gente se encontrar, desenvolvendo uma posição de encontro e dialogal, em meio a tantos desencontros de hoje.  O Papa cita inclusive Vinícius de Moraes, pois “tudo o que é bom, venha de onde vier, é importante e bem-vindo”, para construirmos “pontes” e não “muros”. O Papa aborda, no primeiro capítulo da Encíclica, as “sombras” atuais, em referência à crise sanitária, política, econômica e de morte na qual estamos nessa pandemia. O frei expõe que o progresso criou “becos sem saída” e junto vem um desencanto pelos próprios meios do progresso, por exemplo, pela própria ciência e história (daí a busca por um fundamentalismo sem sentido e a-científico).

O frei ainda trouxe que temos presentes o medo e a agressividade, e que muita informação pode até nos “cegar” para um verdadeiro conhecimento, que seja sábio e gera capacidade de decisão. Após este “olhar” dos desafios, trouxe a luz da “solidariedade” contida na Carta. O Papa propõe a “amizade social”, quando nós pensamos até que amigos de verdade são poucos… e propõe um mundo de “irmãos” e não de “sócios”, conforme à linguagem do mercado. “Irmãos” cultivam o intercâmbio de cultura, valores, experiências… e o “outro” pode ser visto com “hostilidade” ou “hospitalidade”, depende de nossa decisão! O Papa ainda destaca que o “outro” muitas vezes é o “migrante”, que está nas fronteiras e põe à prova a nossa fraternidade universal.

Por fim, o frei discorreu um pouco sobre o capítulo quinto da Encíclica, a “política melhor”, nem Estado mínimo, nem populista, mas com o povo atuante. Política que precisa reger a economia, e considerar a “pessoa”, o “bem comum” e os “direitos”, pois historicamente sistemas priorizaram a “liberdade”, como o capitalismo com a liberdade de ter e vender, ou priorizaram a “igualdade”, como o comunismo, com a aparente igualdade de bens, todavia, faltou a “fraternidade”. E, concluindo, ressaltou o papel das religiões, presente no último capítulo da Encíclica, em vista da construção da paz, da justiça e da fraternidade, para que as mesmas religiões se voltem para fora de si mesmas, e não coadunem com a violência, a qual frequentemente se legitima no sagrado, uma vez que lida com a “morte” e precisa de justificativa para agir.

Segue, assim, a conferência on-line completa: