“Economia de Francisco” em Piracicaba com os capuchinhos

No sábado, 7 de dezembro, à tarde, aconteceu na cidade de Piracicaba o encontro “Economia de Francisco”, com os convidados Eduardo Brasileiro e Ladislau Dowbor, da Articulação Brasileira pela Economia de Francisco. Foi um lançamento da articulação pela “Economia de Francisco” na região de Piracicaba, contando com a participação de mais de 100 pessoas, de diversos grupos e cidades da região, sendo organizado pela Comissão de Justiça, Paz e Integridade da Criação dos Frades Capuchinhos e o Instituto Piracicabano de Estudos e Defesa da Democracia, e aconteceu na casa dos frades capuchinhos, Seminário Seráfico São Fidélis. O encontro foi bem divulgado, tanto na mídia, como pelo Instituto, pelos frades e pela Diocese de Piracicaba. Este encontro foi em vista do encontro global a se realizar em março de 2020, em Assis, Itália, convocado pelo Papa Francisco e intitulado por ele de “Economia de Francisco”, em referência a São Francisco de Assis, a fim de repensar a economia atual, que está levando o Planeta ao colapso e o extremo crescimento da miséria.

Ladislau Dowbor, conhecido economista, iniciou discorrendo um pouco sobre a conjuntura econômica atual. Destacou, por exemplo, que há muita riqueza no mundo, e o grande problema é a má distribuição, é um problema de organização social. A concentração de riqueza nas mãos de poucos é crescente, por exemplo, no Brasil, nos últimos 7 anos, o número de bilionários praticamente triplicou, e enquanto em 2012 eles tinham 340 bilhões, hoje os 210 bilionários brasileiros têm 1 trilhão e 200 bilhões, e sem ter produzido praticamente nada a mais, nem gerado empregos (aliás, cortando os empregos), e obtendo a riqueza só pela especulação financeira! Isso se dá através da economia extrativista e apropriação pela especulação, pelo juros.

Enquanto isso, 800 milhões de pessoas passam fome no mundo hoje! Isto é inadmissível! O sistema econômico serve a quem não produz nada, só especula. Está se destruindo o Planeta por interesses de uma minoria. Por outro lado, o dinheiro quando está na base, em meio à população, ele circula muito e faz crescer o PIB, gera empregos e desenvolve o país. Temos de focar no local, em fortalecer a organização local, a própria China se desenvolveu por ter uma gestão descentralizada. Temos de retomar o controle dos processos.

Seguiu o sociólogo Eduardo Brasileiro, da organização eclesial “Igreja Povo de Deus em Movimento” (Zona Leste da cidade de São Paulo). Partiu do caminho trilhado pelo Papa Francisco: “Ecumênico”, por exemplo, com os encontros com os “movimentos sociais”, nos quais se escutou atentamente os gritos dos pobres e da terra; também “ecológico”, com o processo desencadeado pela Encíclica Laudato Si’; e agora “econômico”, com a “Economia de Francisco”, adentrando na raiz da crise atual que provoca tantos “gritos dos pobres e da terra”, em vista de “re-almar” a economia injusta provocada pelo capitalismo global e individualista atual, para uma economia mais justa, sustentável, ecológica e circular. Para tanto, o Papa já pensa também para maio de 2020 num pacto educativo, para formar uma mentalidade para esta nova economia. Destacou ainda a necessidade de humanizar as relações, o que Francisco de Assis nos inspira com o diálogo, cuidado e acolhida, e a necessidade de atuarmos na base!

Após as colocações, houve um tempo de perguntas, intervenções e diálogo muito aberto e frutuoso. Por fim, firmaram um “Grupo da Economia de Francisco de Piracicaba”, com a adesão de 4o participantes presentes.

 

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