“Crime, tristeza e indignação” presenciam capuchinhos em Brumadinho

FOTOS DO MESMO LOCAL, DIAS ANTES E DEPOIS DO CRIME, FUNDOS DE UM SÍTIO EM BRUMADINHO

Na semana seguinte à tragédia/crime do rompimento da barragem de rejeitos de minério da mineradora Vale S/A, em Brumadinho (Minas Gerais), frades capuchinhos, em nome da Comissão de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) dos capuchinhos do Brasil, estiveram presentes em vários locais afetados e com mobilizações em Brumadinho. Puderam presenciar a profunda tristeza de centenas de famílias que tiveram seus entes queridos ceifados pelo crime cometido pelas irresponsabilidades na empresa mineradora Vale S/A, que atua com lucro de bilhões de dólares. Junto vem a tristeza pela agonia do rio Paraopeba, um dos maiores de Minas Gerais, contaminado já em grande parte, e a indignação diante desta empresa, sabido de todos os altos riscos de centenas de barragens de rejeitos de minério, presentes no estado de Minas Gerais e em muitos locais do Brasil, mas a mineradora não faz o mínimo para evitar tragédias como esta, inclusive tendo o refeitório dos próprios trabalhadores da empresa, que foram os primeiros a serem mortos, logo abaixo da barragem que se rompeu.

MANIFESTAÇÃO DA POPULAÇÃO EM BRUMADINHO

A população afirma veementemente a irresponsabilidade da mineradora. A população está indignada com os altíssimos lucros para poucos empresários, enquanto os altos prejuízos e tragédias são socializados para o povo, com a ausência de investimentos mínimos para se evitar o rompimento de barragens como esta, e como ocorrido três anos atrás pela Samarco/Vale/BHP em Mariana. Desta vez, muito cruel, foi o óbito de centenas de trabalhadores da própria empresa e de sitiantes do entorno, além da perda material muito grande, muitas casas, sítios, animais, plantações foram contaminados e varridos pela lama. Na missa de 7º dia, presidida pelo arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor, ele enfatizou várias vezes esta tragédia do rompimento da barragem da Vale como “crime, injustiça e descasos” presentes nesta empresa. Ressaltou também que isto se deve, nas palavras do Papa Francisco, à “idolatria do dinheiro” pelas grandes corporações em detrimento do cuidado com a vida humana e da criação.

FOTOS DA MISSA DE 7º DIA

Os frades presentes foram frei Marcelo Toyansk, coordenador da comissão JPIC da CCB, frei Warley e frei Douglas Leandro, frades pós-noviços residentes na fraternidade em Juatuba, há 44 quilômetros de Brumadinho. A Comissão JPIC acompanha este crime trágico em parceria com outras organizações sociais, como o Movimento de Atingidos por Barragens, e organizações eclesiais, como a Comissão Pastoral da Terra, Sinfrajupe, Igreja e Mineração, entre outros. Há ainda temor que esta lama possa chegar ao rio São Francisco, embora incerta, seria o crime com repercussões incomensuráveis, haja vista o rio percorrer vários estados brasileiros, abastecer cerca de 15 milhões de pessoas e ser fonte de sustento a muitos. Indignados ainda com as informações de apenas 3 fiscais para mais de 400 barragens no estado de Minas Gerais, das quais muitas em graves risco de rompimento, além das denúncias de diversos funcionários, organizações e da população sobre o amplo conhecimento da empresa de todos estes riscos e sua grande indiferença diante de tais possibilidades, parecendo lhe ser mais lucrativo não investir na segurança mínima da população ao redor destas barragens.

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