Animadores capuchinhos de JPIC se reúnem on-line

Os animadores capuchinhos de JPIC (Justiça, Paz e Integridade da Criação) do Brasil se reuniram on-line no sábado, 2 de maio de 2020, pelo sistema google meet, das 9h até o meio dia (hora de Brasília). Estavam presentes 23 participantes, sendo 19 frades capuchinhos das comissões de JPIC de dez circunscrições capuchinhas do Brasil, bem como o animador de JPIC da Ordem, o filipino frei Joel de Jesus, atualmente residente em Assis, também frei Nilmar Gatto, ministro provincial gaúcho, referência para JPIC na CCB, além da irmã Marinalva Carvalho, franciscana do Coração de Maria e animadora de JPIC em SP e frei Darwin Orozco, animador capuchinho de JPIC na CCA.

Frei Joel iniciou discorrendo um pouco sobre o papel da JPIC na Ordem: “Ser voz dos pobres para toda a Ordem”, compartilhando esse serviço com nossos jovens frades, envolvendo a todos os irmãos direta ou indiretamente, “os capuchinhos nunca devem ser separados dos pobres porque os pobres são nossos irmãos, o que os capuchinhos têm também pertence aos pobres”. “Nosso coração sempre deve estar ardendo com o Espírito Santo quando vamos às periferias”, disse. Fr. Joel costuma dizer aos nossos jovens irmãos: “Nosso trabalho no JPIC é 90% de oração e contemplação e apenas 10% de trabalho: Quando você viaja para as periferias e vê a beleza da natureza, você se lembra de Deus e ora. Quando você vê destruição e sofrimento ao seu redor e você se sente impotente, você pensa em Deus e ora. Quando você volta ao convento e lembra-se das pessoas que sofrem e a criação que está danificada, você olha para Jesus no altar e ora”.

Ele ainda discorreu sobre os níveis do trabalho de JPIC: atender as necessidades imediatas dos pobres, capacitar os pobres para se “empoderarem”, promover a mudança social – o que pede a presença do frade por muitos anos junto à mesma realidade – e, assim, restaurar a dignidade dos pobres como filhos e filhas de Deus. Igualmente discorreu sobre os níveis do cuidado ambiental no trabalho de JPIC: restaurar o meio-ambiente, promover a mudança social e garantir a dignidade da natureza, como criada por Deus.

A seguir, frei Marcelo Toyansk, animador da JPIC na CCB, expôs um pouco da JPIC entre os capuchinhos no Brasil. “JPIC, para os capuchinhos, é um estilo de vida e missão. É parte do nosso DNA como franciscanos”, recordou. O serviço JPIC busca formar pessoalmente e fraternalmente, propor atividades e iniciativas, e fazer parcerias com outros grupos e organizações eclesiais e sociais. Relembrou que a rearticulação da JPIC entre os capuchinhos do Brasil se deu a partir do Encontro na República Dominicana, em 2016, e foi muito impulsionado com o Encontro de animadores capuchinhos de JPIC em São Pedro (SP), em 2018. Ainda reportou algumas iniciativas da JPIC na CCB, como, a impressão de 3 mil exemplares em português do Manual de JPIC da Ordem, conferências on-line, o uso do blog, acolhida e ajuda material a centenas de venezuelanos, entre muitos outros.

Frei Nilmar fez, então, uma palavra de incentivo à solidariedade, neste tempo de pandemia, e a seguir cada animador capuchinho compartilhou algumas experiências de JPIC em sua circunscrição. Frei Acélio Pessoa, JPIC da Província do Ceará/Piauí, recordou o I Congresso Interfranciscano de JPIC do Nordeste, acontecido ano passado, com o envolvimento dos capuchinhos; ele ressaltou ainda que no Nordeste os capuchinhos não atuam muito com os movimentos sociais, estão mais na caridade; a equipe está buscando trabalhar aos poucos com outros franciscanos e buscam uma parceria com um grupo do Pão dos Pobres de Santo Antônio; o Manual de JPIC foi bem visto nas fraternidades e estão pretendendo oferecer formações sobre a JPIC aos postulantes. Frei Dimitri Corrêa, JPIC da Custódia do Amazonas/Roraima, está no primeiro ano na JPIC, está ainda aprendendo, destacou o trabalho com materiais recicláveis, em parceria com uma cooperativa de catadores, que desenvolve na fraternidade de Manaus (nesta não produzem lixo há dois anos), com uma gradativa mudança de mentalidade dos frades. Frei Claudelino Brustolin, JPIC da Província do Rio Grande do Sul, relatou que todas as fraternidades, junto com a OFS, estudaram o Manual de JPIC; a Província é bem diversificada nos trabalhos de tônica de JPIC, com atuação junto aos assentamentos de sem-terra no sul do estado, com o atendimento aos soropositivos de DST/AIDS pela Casa Fonte Colombo e outras muitas atividades vinculadas às paróquias capuchinhas, por exemplo, em Caxias do Sul, tem o Mão Amiga, organização coordenada por um frade, com 15 projetos sociais; todas as fraternidades praticamente separam o material reciclável, os frades têm se formado para uma sobriedade diante dos bens materiais; destacou a ajuda na construção da “fábrica de telhas” no Haiti, com recursos humanos e muitos recursos financeiros por parte da Província, bem como o apoio a migrantes venezuelanos; a Província tem gráfica e pousadas e está buscando fazer o máximo possível para não demitir funcionários neste tempo de pandemia (são mais de 400 funcionários ao todo nas entidades da Província); além de abordarem JPIC nas formações inicial e permanente.

A seguir, falaram pela JPIC da Província do Brasil Central: frei Everaldo Couto partilhou sobre um espaço para “reciclagem” na paróquia dos capuchinhos, com o rendimento para a paróquia e a fraternidade. Frei Klenner Antônio continuou sobre o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), no qual participa, porque nos estados de Mato Grosso/Mato Grosso do Sul (2º estado com maior população indígena) é muito forte o conflito dos latifundiários com as comunidades indígenas, e citou frei Dimas também presente nas aldeias, com o acompanhamento de grupo de jovens e das comunidades indígenas (que carecem de acompanhamento pastoral “não colonizador”); relatou ainda que outra enorme dificuldade é a demarcação das terras indígenas, muitas comunidades indígenas vivem tensas por poderem ser expulsas de suas terras, além do preconceito (muitas aldeias estão também nas cidades), além da difamação de lideranças por influências externas; frei Klenner acredita que precisamos crescer na consciência que JPIC faz parte do nosso DNA franciscano, as demandas institucionais pesam mais que o carisma (Frei Marcelo reportou a necessidade de a JPIC ser presente na formação inicial para formar nova consciência a partir dos frades jovens e, sobre a causa indígena acompanhada pelos frades, propôs fazer uma reunião com frei Joel para um apoio maior da JPIC da Ordem). Frei Edmilson de Jesus relatou as dificuldades em aplicar a JPIC entre nós, a necessidade de maior conscientização, e necessidade de frades um pouco “liberados” para a JPIC, acredita também que podem abordar a JPIC nas casas de formação em que estão presentes, e destacou, entre algumas iniciativas, frades que trabalham com sementes crioulas para passar a outros agricultores e também as plantam sem veneno algum (em uma região dominada pelo agronegócio), recordando ainda uma paróquia em que os frades buscaram ajudas para atenderem as famílias desamparadas em meio à pandemia.

Frei Mateus Bento, da JPIC da Província de São Paulo, destacou a realização de um fórum com leigos das pastorais sociais das presenças capuchinhas de SP, em 2019, bem como a acolhida pela JPIC de uma família venezuelana em São Paulo (com alimentação, aluguel…); recordou também os dois serviços que atendem 210 crianças e adolescentes (mantidos pela Província); e ele tem atuado junto à pastoral indigenista e o CIMI, acompanhando muitas comunidades indígenas em contexto urbano, no litoral e no Vale do Ribeira; em meio à pandemia a JPIC tem prestado solidariedade aos indígenas (sem possibilidade de venda de artesanato) e a serviços à população em situação de rua (em apoio ao Padre Júlio Lancellotti) e algumas áreas periféricas/vulneráveis, pois São Paulo é o local com maior números de casos de covid no Brasil. Frei Marcelo, também da Província de São Paulo, que presta assessoria e presença em meio a diversos grupos, entidades e movimentos sociais, e participa também da Articulação nacional pela Economia de Francisco, lembrou ainda que no início (em 2017) a equipe JPIC realizou com os frades algumas formações sobre JPIC e Laudato Si’, depois fez um levantamento junto às fraternidades do que se fazia em relação à solidariedade e JPIC, percebendo muitas iniciativas assistenciais e a falta de maior envolvimento em pastorais sócio-transformadora, por isso, organizaram o fórum ocorrido em 2019.

Frei Eliseu Aiolfi, JPIC da Custódia do Brasil-Oeste, destacou que a JPIC é primeiramente um grande apelo ao estilo de vida dos frades, e, em relação a atividades, primeiramente estudaram e rezaram a partir do Manual de JPIC, nomeando um frade referencial de JPIC em cada fraternidade da Custódia; os frades têm desenvolvido ações em parcerias com as paróquias e voluntariado, como a pastoral de rua em Cuiabá, e ajudas com cestas básicas em todas as paróquias capuchinhas; presença dos frades em casas terapêuticas (com tóxico-dependentes), e incentivo pela JPIC a todas fraternidades a realização e o aprofundamento da Semana Laudato Si’ (16-24/5/20); destacou também a presença de frei Volmir Bavaresco junto ao CIMI (pelo qual participou recente em um evento em Genebra e no Sínodo para a Amazônia), atento principalmente à demarcação da terra indígena, aos direitos e a questão da saúde destes povos.

Frei Warley Alves, JPIC da Província de Minas Gerais, nomeado há um semestre, envolveu mais dois frades na comissão (frei André e frei Davi), e percebe a necessidade de maior consciência entre nós de que a JPIC não é relegada para um único frade, mas precisa tocar a todos; na paróquia capuchinha em Belo Horizonte, há iniciativas com os leigos de ajuda com cestas básicas, bem como iniciativa dos leigos com uma horta comunitária; há obras sociais na Província  com o envolvimento dos leigos, todavia, ainda não as percebem como expressão de JPIC; ele teve dificuldade ainda no retorno para um mapeamento do que há de JPIC nas fraternidades, sente estarmos muito ausentes na urgência dos afetados pela mineração, e tem alguns envolvimento com os movimentos sociais. Frei Michel Padilha, JPIC da Província do Rio de Janeiro/Espírito Santo/Leste de Minas, ressaltou ainda a dificuldade de envolvimento dos frades com a JPIC, diante disso, sempre a abordam nas formações da Província e junto aos novos frades; destacou que na Província as ações de JPIC são junto às paróquias, como as ajudas solidárias dos frades em Teresópolis e no Rio de janeiro (também com auxílio a uma creche); em Minas Gerais, os frades prestam um cuidado às nascentes de água; há em uma paróquia capuchinha jovens que trabalham com reflorestamento; no Espírito Santo, as paróquias capuchinhas ajudam com cestas básicas e assistência espiritual neste tempo de pandemia; e na escola superior, frei Renato Moreira está iniciando uma formação sobre a JPIC.

Os representantes da JPIC das Províncias do Paraná/Santa Catarina e de Bahia/Sergipe acompanharam a reunião, mas por questões técnicas não conseguiram compartilhar. Frei Marcelo concluiu sobre a importância do apoio das províncias e custódias para o desenvolvimento dos serviços de JPIC. Também ressaltou que muitas vezes a participação de leigos, irmãs franciscanas, irmãos da OFS ajudam muito a articular o serviço de JPIC dos capuchinhos, na medida em que os envolvemos nas nossas equipes de JPIC, eles envolvem igualmente mais outros frades também. Ressaltou ainda que temos um blog de JPIC da Ordem e da JPIC da CCB, que podem contar com notícias enviadas pelos animadores. Ficou encaminhada a redação de uma mensagem/carta da JPIC da CCB para os frades capuchinhos do Brasil, neste momento difícil da pandemia, a cargo de frei Marcelo, frei Klenner e frei Eliseu. A reunião, assim, foi de partilha das realidades e iniciativas de JPIC, e foi confirmada uma próxima reunião on-line dos animadores de JPIC no mês seguinte, para articular os trabalhos conjuntamente. Frei Joel, por fim, animou a ajudarmos os mais sofridos neste momento dramático de pandemia.

Apresentação de fr. Joel sobre JPIC 2.5.2020

Apresentação de fr. Marcelo sobre JPIC, 2.5.2020

 

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