A Economia de Francisco no olhar de franciscanas/os

No 27 de agosto, as Comissões nacionais de JPIC dos capuchinhos, dos OFM, da OFS e o DHJUPIC da Jufra do Brasil organizaram um Diálogo on-line sobre a “Economia de Francisco”, com a Gabriela Consolaro, jovem da Juventude Francsicana (JUFRA), formadora nacional da JUFRA e membro da Articulação Brasileira da Economia de Francisco e Clara (ABEFC) e frei Luiz Susin, frade capuchinho, teólogo, professor na PUC-RS e na Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (ESTEF). A mediação foi de frei Marcelo Toyansk, animador da JPIC dos capuchinhos do Brasil, que também é da ABEFC e trouxe algumas contribuições, bem como do Paulo, do Canal Resistentes, o qual transmitiu esse Diálogo on-line.

A Gabriela iniciou discorrendo sobre o “chamado” do Papa Francisco, ao convocar este encontro global com jovens economistas e ativistas sociais do mundo todo, em vista de repensar a economia atual, que “mata e destrói”, para uma economia justa, sustentável e inclusiva. Ela, que está inscrita para participar no encontro na cidade de Assis, Itália, também falou de como a Economia de Francisco é um movimento que visa fazer pontes e impulsionar muitas iniciativas já existentes, bem como trouxe como os jovens e tantos grupos e organizações têm se organizado em torno deste chamado do Papa, tão urgente e atual.

Em seguida frei Luiz Susin apresentou um pouco sobre a inspiração que Francisco de Assis traz para uma nova economia, na qual o bem comum é central, pautada na gratuidade, que contempla o cuidado de toda pessoa humana, mesmo as que não conseguem trabalhar, como os idosos, os enfermos, os “leprosos”… os quais devem receber seu sustento. Segundo ele, Francisco de Assis viveu no início do sistema mercantil e é antissistêmico, pois parte da inclusão e coloca o irmão em primeiro lugar, antes do dinheiro, do lucro e da renda.

Frei Marcelo fez algumas pontuações, então, sobre a realidade econômica atual, pois São Francisco também se defronta com a realidade de seu tempo para viver a espiritualidade que até hoje nos traz luzes e uma nova perspectiva inclusiva e de justiça para a economia. Ressaltou que, assim como o pai de Francisco de Assis era um agiota, o sistema financeiro vive de agiotagem,  suga por altos juros 1 trilhão de reais das famílias e pequenas empresas ao ano, e mais 1 trilhão do Estado por juros da dívida pública, dívida, aliás, muito questionada existir ainda com o montante atual. Assim, o sistema financeiro, sem produzir nada, mas só ganhando com abusivos juros, engessa o poder de compra das famílias – que no início da pandemia eram 60 milhões de brasileiros endividados -, engessa a capacidade de produção das empresas e engessa o Estado nos investimentos em infraestruturas e serviços básicos, de modo a “engessar” toda a economia brasileira e ser uma das principais causas das crises atuais que passa o país.

Seguiram diversos comentários e algumas perguntas, com uma boa participação ao vivo, principalmente de muitos franciscanos de diversos ramos e membros da Articulação Brasileira da Economia de Francisco e Clara.

Segue a gravação na íntegra:

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