3º Encontro Nacional JPIC/CRB e CBJP/CNBB

De 22 a 24 de fevereiro de 2019, cerca de 90 representantes da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), de Comissões Justiça e Paz Regionais e Diocesanas (CJP), de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) da Conferência de Religiosos e Religiosas do Brasil (CRB) e de famílias religiosas – dentre os quais vários frades capuchinhos – realizaram em Brasília, na Casa de Retiros Assunção, o III Encontro Nacional da Aliança CBJP/CNBB e JPIC/CRB e o XVII Encontro Nacional das CJP e afins. Os participantes vieram de 22 estados garantindo a presença de todas as regiões do país. Foram dias de intensa partilha, análise da crítica conjuntura atual e organização de serviços em conjunto.

Na análise de conjuntura, destacou-se que estamos num momento complexo, enquanto múltiplos fenômenos estão interagindo, numa mudança de época, de reorganização dos sistemas. Cada vez mais as crises econômicas têm sido mais longas e difíceis de serem superadas, permanecendo cada vez mais países nestas crises. Todavia, os bancos saem das crises com 30% mais de ativos. São os únicos que ganham permanentemente. A riqueza tem sido transferida da pecuária, da indústria… para o sistema financeiro, pois a “economia financeira” precisa que a “economia concreta” cresça e seja explorada para o sustentar. Nos anos 70, o sistema financeiro se sustentava e ganhava a partir da dívida externa. Depois foi com as privatizações (por moeda podre, que não valia internacionalmente). E sempre acompanhado do crescimento da miséria. Hoje, o sistema financeiro vem se sustentar a partir do extrativismo e da produção, priorizando-se o sistema financeiro em detrimento desses setores, junto com larga destruição ambiental e crescimento da miséria em escala global, acirrando-se, assim, os conflitos em escala mundial.

Junto a isso, temos uma crise de referência, de projetos e de lideranças globais. Uma das poucas exceções é o Papa Francisco. Tempos atrás havia projetos de exploração bem articulados pelo FMI, hoje não mais. Igualmente há um reaparecimento do nazi-fascismo e uma reorganização da esquerda em nível mundial. E nós no Brasil estamos regressando para fome, desemprego, perda de direitos, desmonte de universidades etc, juntamente com uma profunda crise política. Com um governo atual em que disputam os militares (sendo muitos hoje no governo, o que mostra falta de consenso entre eles ainda), os neoliberais radicais (“ministro Guedes”) e os olavistas (bolsonaristas, pentecostais). E os bancos ganhando muito.

Diante disso, percebe-se um alinhamento ao governo Trump, por exemplo, no ataque à Venezuela, com uma das principais razões a Venezuela ameaçar não usar o dólar como referência, desse modo, o conflito, além de disputar muito as reservas de petróleo, se refere muito ao sistema financeiro. Destarte, no centro do atual governo e dos interesses está a reforma da previdência (em torno a ela se unifica a elite e o governo), pois esta visa diminuir os gastos na previdência em vista do aumento do saldo fiscal para continuar o pagamento dos exorbitantes e injustos juros da dívida pública aos bancos. O centro das atenções está para o sistema financeiro. Assim, quem ganharia com esta reforma são os bancos, com seus juros garantidos por um saldo fiscal mais ampliado – estes juros consomem grande parte dos gastos do país – ao mesmo tempo que oferecerão sua previdência privada. Querem, assim, aprofundar a concentração de renda, transferindo os valores das aposentadorias de milhões de pobres para as mãos dos bancos. E para controlar a população, diante de tantos direitos desmontados, arquitetam um sistema de repressão, de criminalização dos movimentos sociais, de armamento de fazendeiros… O extremo neoliberalismo não consegue combinar com a democracia!

Tivemos também a exposição do Movimento de Atingidos pela Mineração (MAM), com informações preocupantes. Os conflitos por água e pelo subsolo com minérios crescem. Metade da água doce está na África e América Latina, e a África tem 30% de seu território com minérios. Ao passo que no Brasil a mineração subiu 500% de 2000 a 2010, haja vista ter poucos trabalhadores, baixo custo, alto retorno, sendo muito mais rentável a mineração que o setor produtivo. No entanto, a mineração é o setor que mais mata, mutila e enlouquece. Além de não direcionarem o imposto obrigatório, SEFEM, já muito baixo, para políticas públicas, mas frequentemente como uma verba livre às prefeituras, desviada para fins escusos. Outra mostra de que é um setor predatório é o fato de ter só 15 fiscais no país todo para fiscalizar as 780 barragens reconhecidas de uso das mineradoras… algo escandaloso, que explica o crime da Vale em Brumadinho e em Mariana. Por fim, há 22 mil áreas de mineração hoje com o Estado, as quais, todavia, o governo atual insinua querer privatizá-las, além de acelerar os vários pedidos para novas minerações!

Alarmante, igualmente, a situação da Amazônia, sobre a qual teremos o Sínodo em outubro de 2019, em Roma. Foi exposto, por exemplo, de que nas últimas 4 décadas o desmatamento da mesma passou de 0,5% a 18%! Assim, percebemos um cenário muito preocupante no Brasil, que tende a agravar e recrudescer. Igualmente com indignação o vemos, o que nos leva a participarmos cada vez mais efetivamente das ações em prol da justiça concreta, da construção da paz e do cuidado da Casa Comum.

A CF 2019 como instrumento

modelos_desenvolvimento_UFPade resgate da democracia

Comunicação Bem Viver

Segurança e DH

CRB – JPIC

relato reuniao brasilia

III Encontro da Nacional da Aliança das Comissões CBJP/CNBB e JPIC/CRB Nacional

https://jornalggn.com.br/direitos-humanos/encontros-por-justica-e-paz-relatam-preocupacao-nacional-e-internacional/

http://www.mpf.mp.br/pgr/noticias-pgr/mpf-lanca-manual-de-jurisprudencia-de-direitos-indigenas/view

MENSAGEM AO POVO DE DEUS: “Serás libertado pelo direito e pela justiça”

 

 

 

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